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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Novos documentos comprovam que Havelange e Teixeira receberam suborno na Fifa


  • Ricardo Teixeira e João Havelange em evento no Rio de Janeiro (01/02/2005) Ricardo Teixeira e João Havelange em evento no Rio de Janeiro (01/02/2005)
Agora está confirmado: Ricardo Teixeira usou a empresa Sanud junto com João Havelange para receber comissões em nome da Fifa e não repassou os valores aos cofres da entidade. Os valores finais ainda não foram fechados pela Justiça da Suíça, mas os subornos podem ter passado de US$ 40 milhões, entre 1978 e 2000. O escândalo está sendo investigado pelo Parlamento Europeu, que divulgou um relatório parcial esta semana.

NÚMEROS DO ESCÂNDALO

  • 1974-1978

    Duração do mandato de Havelange como presidente da Fifa
  • 1994-2012

    Período no qual Teixeira foi membro do comitê executivo da Fifa
  • US$ 40 milhões

    Valor do suborno recebido pelos dois dirigentes entre 1978 e 2000
  • 1982-2001

    Anos de fundação e falência da empresa de marketing esportivo ISL
  • 2001

    Ano no qual foi realizada a CPI do Futebol, que investigou Teixeira
Parte dessas comissões milionárias foram recebidas pelos brasileiros entre 1989 e 1998, ano em que Havelange se afastou da presidência da Federação, depois de cumprir mandatos seguidos desde 1974.
Além da Sanud, empresa investigada na CPI do Futebol em 2001 (e que tem o irmão de Teixeira, Guilherme, como procurador, no Brasil) os dois brasileiros usaram também o fundo  Renford Investiments, e a empresa Garantie JH para coletar propinas na venda de direitos de transmissão dos jogos das Copas do Mundo, “para um país da América do Sul”.
As informações foram amplamente investigadas pelo promotor suíço Thomas Hildebrand que abriu ação criminal contra os dois brasileiros, mantendo seus nomes  sob sigilo judicial.
Mas alguns documentos exclusivos obtidos por UOL Esporte,  no ano passado, permitem cruzar as datas dos depósitos efetuados em várias contas de empresas de fachada, usadas no maior escândalo de corrupção esportiva, que chega a 122,6 milhões de francos suíços ou cerca de US$ 160 milhões no total.
Parte desse dinheiro (mais de US$ 40 milhões) ficou nas contas dos dois brasileiros que estavam por trás de um grupo de empresas listadas pela promotoria suíça.
Mesmo mantendo o sigilo judicial imposto ao processo criminal que ainda tramita na Suíça, o promotor Hildbrand deu detalhes sobre as operações das duas pessoas denunciadas no recebimento de propina. Essas pessoas foram codificadas pelas letras H (Teixeira) e E (Havelange).

ADVOGADOS NÃO LOCALIZADOS

A reportagem do UOL Esporte tentou localizar os advogados de Ricardo Teixeira e Guilherme Teixeira, mas não obteve o sucesso no contato com os defensores da dupla.
Na Suíça, corrupção privada só é enquadrada em crime quando envolve suborno em contratos comerciais. “Por isso as pessoas H e E foram incriminadas”, explicou o promotor usando as duas letras para proteger a identidade dos brasileiros.
Segundo Hildbrand, “os dois, E e H, tinham participação financeira na companhia G (Sanud). Detalhes das operações individuais podem ser conhecidos no quadro abaixo”.
Por esse quadro divulgado pelo Comitê Europeu de Cultura, Ciência, Educação e Mídia, que também investiga o maior escândalo do futebol mundial, 32 depósitos foram feitos entre 10 de agosto de 1992 até 4 de maio de 2000, na conta da Sanud (empresa G).
O Parlamento Europeu divulgou nesta semana parte do conteúdo do processo que investiga o escândalo. Para preservar o sigilo judicial, o promotor apenas listou os depósitos feitos e a Comissão Europeia excluiu os nomes das empresas denunciadas.
Porém, cruzando as informações divulgadas esta semana pelo Parlamento Europeu com um dossiê de lista de empresas beneficiadas a que o UOL Esporte teve acesso, ano passado, foi possível checar cada depósito realizado com os nomes das empresas beneficiadas: A Sanud  e a Garantie JH receberam entre 1992 e 1997, 22 repasses financeiros, totalizando US$ 10 milhões. A Garantie JH recebeu em um único depósito de 3 de março de 1997,  US$ 1 milhão. Os outros dez repasses foram feitos para a conta da Renford Investiments Ltd.
Apesar da coincidência das letras JH, até o relatório divulgado pelo Parlamento Europeu não se poderia afirmar que a Garantie era operada por João Havelange. A confirmação foi possível porque dados sigilosos do processo obtidos pelo UOL Esporte trazem a lista dos depósitos associada aos nomes das empresas beneficiárias. O roteiro de datas e valores divulgados pelos comissários europeus foi decisivo para o cruzamento dos nomes das empresas.
A dinheirama manipulada pela Fifa passava antes pelos cofres da International Sports Leisure (ISL), empresa de marketing esportivo montada por Havelange em associação com Adidas e a japonesa Dentsu, nos anos 80. A ISL tinha 50% de capital japonês e acabou quebrando em 2001.
A falência da ISL chamou a atenção do Ministério Público e uma investigação criminal foi aberta na Suíça para apurar os motivos da falta de caixa. Um dos executivos da empresa, Jean Marie Weber, abriu o jogo e contou como o esquema funcionava.
Há ainda outro detalhe importante revelado pelo promotor Hildbrand e que ajudou a confirmar os nomes dos brasileiros: “alguns depósitos foram feitos em contas dos filhos do suspeito H (Teixeira) e um dos contratos assinados pela Fifa leva a assinatura do suspeito E, em 97 e 98”.
Está claro também de onde os dois recebiam comissão pela venda exclusiva dos direitos de transmissão do jogos: “O pagamento foi feito pela ISL e uma de suas subsidiárias a ISMM Investiments, que recontratava empresas para vender direitos de televisão e rádio a um país da América do Sul”. Os dois únicos interessados em direitos de televisão na América do Sul e que eram oficiais da Fifa, e que operavam a Sanud e a Garantie JH, são Ricardo Teixeira e João Havelange.
“Os pagamentos foram feitos direta ou indiretamente aos dois (H e E); ambos eram executivos da Fifa e um deles ainda é”, revelou o promotor aos parlamentares europeus em depoimento dado em  março de 2012.

ALGUMAS EMPRESAS ENVOLVIDAS EM SUBORNO, SEGUNDO JUSTIÇA SUÍÇA

Garantie JH
Sanud
US$ 1,5 milhão
US$ 8,5 mihões
      03/03/1997
de 16/02/93 a 28/11/97
Beleza US$ 1,5 milhão de 27/03/91 a 01/11/91
Ovada US$ 820 mil 22/01/1992
Wando US$ 1,8 mihão de 06/07/89 a 22/01/93
Sicuretta US$ 42,4 mihões de 25/09/89 a 24/03/99


Saem Sanud, Garantie JH e entra a Renford  
O último depósito feito na conta da Sanud (que, no Brasil era operada pelo irmão de Ricardo Teixeira, Guilherme) foi feito no dia 30 de março de 1997. A partir de março de 1998 entra em cena a Renford Investiments para receber em um único depósito a soma de US$ 2 milhões.
“Os pagamentos foram feitos como venda de influência pessoal na negociação dos direitos exclusivos de transmissão dos jogos da Copa do Mundo. Esses pagamentos se referem a contratos assinados em 12 de dezembro de 1997 e maio de 1998 pelo acusado E”, revela o promotor.
Esses contratos negociavam a transmissão da Copa de 2002 (no Japão e Coreia). Era o último ano de Havelange à frente da Fifa e ele assinou os contratos de venda de direitos como presidente da entidade.
 “O acusado E ficou rico com as comissões recebidas e não cumpriu seu dever de repassar esses valores aos cofres da Fifa, que acusou prejuízo de igual valor", denuncia.
A mesma acusação se refere ao acusado H (Teixeira) como um dos beneficiários  da empresa Sanud.
“As somas recebidas foram levadas em dinheiro por um cidadão de Andorra e depositadas em três contas dos filhos de H”, revela o promotor. “Parte do dinheiro saiu também do Bank of America, nos Estados Unidos”.
Entre 10 de agosto de 1992 e 4 de maio de 2000 as empresas operadas por Havelange e Teixeira receberam US$ 15,6 milhões. Mas outra montanha de dólares passou por outras empresas antes desse período. Estima-se que empresas como Wando, Ovada, Beleza e Sicuretta também receberam cerca de US$ 60 milhões:
“Esse interesse por promoção esportiva começou na Fifa nos anos 1970”, revelou um ex-gerente da ISL ao promotor Hildbrand. “A ISL perseguiu esses objetivos desde sua fundação. As atividades continuaram,  mas agora há uma espécie de fundação que opera com fundo de investimento único”.
Teixeira e Havelange escapam da condenação
Embora o caso chame a atenção do investigadores europeus, o fato é que o promotor Hildbrand não vê caminhos claros para abrir novo processo criminal contra os acusados H e E. “Houve um acordo judicial e parte do dinheiro foi depositado na conta da falida ISL”, explicou o promotor em seu depoimento.
“A Fifa foi a principal interessada no acerto. Seus advogados na Suíça lutaram muito para esse acordo e não existe mais queixa de prejuízo causado aos cofres da entidade. O interesse da Fifa sugere que a entidade sabia de tudo o que ocorria e suspeitamos que a entidade tenha feito pagamento por terceiros ”, disse o promotor. “ O pagamento do acusado H (Teixeira) foi feito pelo mesmo escritório de advocacia que trabalha para a Fifa”, concluiu Hildbrand.
Para encerrar o processo na justiça suíça, Havelange acertou com a Fifa a devolução  de cerca de US$ 400 mil dólares:
“A idade avançada do acusado e a consequente redução de sua capacidade de ganho e de aposentadoria  fizeram com que a promotoria aceitasse o pagamento de 500 mil francos suíços”.
Um depósito de US$ 1 milhão foi feito na conta da Garantie JH e foi confirmado pelo promotor Hildbrand “como sendo na conta do acusado E, que é idoso e está aposentado”.
O suspeito H (Teixeira) encerrou o caso com a devolução de cerca de US$ 2,6 milhões. O dinheiro foi depositado na conta de massa falida da ISL, que ainda precisa pagar seus credores.
Na opinião do promotor Thomas Hildbrand, a Fifa sempre soube do escândalo, porque Joseph Blatter está na entidade desde 1974 e sempre ocupou cargo de gerência executiva e secretaria geral, até ser eleito presidente em 1998, substituindo João Havelange.
Ricardo Teixeira renunciou a seu cargo executivo na Fifa, em março de 2012. João Havelange renunciou a cargo vitalício no Comité Olímpico Internacional, em meio a investigação por corrupção. Havelange está internado no hospital Samaritano no Rio de Janero, desde 18 de março, vítima de infecção no tornozelo direito.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Não acredite

Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.

domingo, 22 de abril de 2012

Dilma tem aprovação recorde, mas Lula é favorito para 2014


 A presidente Dilma Rousseff bateu mais um recorde de popularidade, mas seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, é o preferido dos brasileiros para ser o candidato do PT ao Planalto em 2014.
A informação é da reportagem de Fernando Rodrigues, publicada na Folha deste domingo (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Metade dos brasileiros acha que situação econômica melhorará
Esse é o resultado principal da pesquisa Datafolha realizada nos dias 18 e 19 deste mês com 2.588 pessoas em todos os Estados e no Distrito Federal. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O governo da petista é avaliado como ótimo ou bom por 64% dos brasileiros, contra 59% em janeiro.
Trata-se de um recorde sob dois aspectos: é a mais alta taxa obtida por Dilma desde a sua posse, em 1º de janeiro de 2012, e é também a maior aprovação presidencial com um ano e três meses de mandato em todas as pesquisas até hoje feitas pelo Datafolha.
Leia a reportagem completa na Folha deste domingo, que já está nas bancas.
Editoria de Arte/Folhapress

sábado, 21 de abril de 2012

Governo federal abre processo para impedir contratos com Delta


 A CGU (Controladoria-Geral da União) instaura na segunda-feira processo administrativo que pode resultar no impedimento da Delta em contratar com órgãos públicos e levar seus contratos a serem suspensos com o governo federal. A Delta é a empresa que, anualmente desde 2007, mais recebe recursos do orçamento do executivo federal. Só no ano passado foram R$ 862 milhões.
De acordo com o ministro da CGU, Jorge Hage, o processo será aberto devido aos indícios de irregularidades encontrados em operação da Polícia Federal no Ceará, em 2010, denominada Mão Dupla. Servidores do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e funcionários da Delta chegaram a ser presos acusados de pagamento e recebimento de propina e desvio de recursos de obras públicas.
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Segundo Hage, a CGU recebeu os autos da PF no fim do ano passado e eles apontavam que as irregularidades se restringiam ao Ceará. Mas, de acordo com o ministro, com as informações provenientes da operação Monte Carlo, desencadeada em fevereiro e que apontam para problemas semelhantes da Delta também na região Centro-Oeste, os indícios de irregularidades cometidos pela empresa podem se caracterizar como mais amplos.
"As condutas supostamente criminosas da empresa agora assumem caráter geral. Avaliamos ontem após reunião com a Casa Civil que deveríamos formar uma comissão para analisar [a possibilidade de torná-la inidônea]", afirmou o ministro.
Segundo Hage, a empresa terá direito a ampla defesa. Caso venha a ser declarada inidônea, a Delta não poderá firmar novos contratos com a administração pública por um período que será definido pela comissão. Em relação às centenas de contrato em vigor da empresa com os órgãos públicos, Hage informou que é preciso avaliar cada um deles, mas que é possível haver rescisão. Nesse caso, o segundo colocado pode assumir ou ser feita nova licitação.
"Em muitos casos, principalmente quando o contrato já está no fim, pode ficar mais caro rescindir. Então a administração pode manter o contrato até o fim", informou o ministro.
Editoria de Arte/Folhapress

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Delta deixa de colocar recursos em reforma do Maracanã


 A construtora Delta, que segundo investigação da Polícia Federal tem ligação com o empresário Carlos Cachoeira, parou de fazer contribuições ao consórcio encarregado de reformar o Maracanã para os jogos do Copa do Mundo de 2014.
Segundo a Folha apurou, nos últimos dias a empresa deixou de aportar cerca de R$ 7 milhões para pagar fornecedores, alegando problemas no seu fluxo de caixa.
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PF encontra tentáculos do grupo de Cachoeira no futebol

Está sendo negociado o acerto financeiro para a saída da Delta do consórcio, formado com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. O acerto só deve ser concluído depois que forem fechadas as despesas deste mês.
Empreiteiras contratadas para obras públicas são pagas em geral 60 dias depois da conclusão de cada fase do serviço. Antes de receberem, têm que tocar o trabalho com meios próprios.
Na reforma do Maracanã, de R$ 860 milhões, o consórcio já recebeu do Estado cerca R$ 320 milhões. Teria agora que entrar com R$ 45 milhões por mês para entregar o serviço no prazo combinado, fevereiro de 2013.
A Delta tem 30% na sociedade, e teria que contribuir com R$ 13,5 milhões mensais, em média. A Odebrecht, maior acionista, tem 49%, e a Andrade Gutierrez, 21%.
O presidente da Delta, Fernando Cavendish, disse à Folha nesta semana que poderia quebrar, já que o foco na empresa levaria governos e bancos a sustarem pagamentos e créditos.
O Consórcio Maracanã Rio 2014 e as três construtoras não quiseram se manifestar oficialmente sobre o caso. A Secretaria de Obras do Estado, responsável pelo contrato, disse não ter recebido comunicado sobre a saída da Delta da reforma.
A Delta já teve problemas na construção do estádio do Engenhão no Rio, inaugurado em 2007. Contratada para a primeira fase da obra pelo então prefeito Cesar Maia (DEM), a empresa acabou não fazendo a articulação entre as paredes e a cobertura do estádio, esta encomendada a um consórcio da OAS com a Odebrechet.
Maia disse à Folha que o consórcio alegou que a Delta não tinha a tecnologia para fazer a articulação, muito sofisticada. Segundo o ex-prefeito, a Delta se ofereceu para terceirizar o trabalho, mas ele preferiu não arriscar.
"A decisão foi entregar ao consórcio aquela parte de articulação. A Delta reclamou muito, mas saiu. O que fez, fez bem. O que não fez foi decisão da prefeitura", disse 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Câmara consegue assinaturas, e CPI é protocolada no Congresso


  A Câmara dos Deputados conseguiu reunir 324 assinaturas para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista sobre o caso Carlinhos Cachoeira –o mínimo necessário na Casa era de 171. O mínimo de 27 assinaturas do Senado já havia sido alcançado. Com isso, 54 assinaturas foram entregues na noite desta terça-feira (17) pelo líder do PT, Walter Pinheiro, à Secretaria Geral da Mesa do Congresso e a comissão foi protocolada. Ainda faltam, no entanto, alguns passos até o início dos trabalhos de investigação.
Até a instalação da CPI, o número de apoiadores pode aumentar ou diminuir.
A comissão vai investigar os negócios do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares, autoridades e empresas públicas e privadas. Cachoeira foi preso em fevereiro durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Quem foi citado na investigação sobre Carlinhos Cachoeira




Foto 5 de 10 - O deputado federal e ator Stepan Nercessian (PPS-RJ) recebeu R$ 175 mil de Carlinhos Cachoeira, segundo reportagem da "Folha de S.Paulo". O parlamentar admitiu ter recebido o dinheiro e disse que é amigo de Cachoeira há muitos anos, já que os dois são de Goiás Mais 14.dez.2011 - Alan Marques/Folhapress
Foram 78 assinaturas da bancada petista na Câmara, 50 do PSDB, 46 do PMDB, 27 do DEM, 25 do PSB, 24 do PSD, 23 do PDT, 16 do PR, 11 do PCdoB, 10 do PPS, 6 do PV, 5 do PRB e 3 do PSOL.
Para a criação da CPI Mista, há uma série de passos a seguir. O primeiro é reunir as 198 assinaturas mínimas necessárias (27 senadores e 171 deputados), para entregá-las à Secretaria Geral da Mesa do Congresso que fará a verificação das assinaturas.
Depois de conferidas as assinaturas, o presidente do Congresso tem a prorrogativa de convocar uma sessão na qual é cumprido o rito de leitura do requerimento da CPI. Com a licença médica do presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), a missão fica a cargo da vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES).
A expectativa é que a sessão do Congresso Nacional seja realizada na quinta-feira (19). Depois da leitura do requerimento, os parlamentares têm prazo até a meia-noite do dia da sessão para retirar suas assinaturas, se desejarem. Se for mantido o mínimo de 198 assinaturas, a CPI é oficialmente criada.
A partir daí, os partidos têm cinco dias para indicar 15 senadores e 15 deputados --e um número igual de suplentes – para a comissão, respeitando a proporcionalidade partidária nas duas Casas. Do total de 30 titulares, a oposição tem direito a sete vagas.
Se a CPI for criada na próxima quinta-feira, os parlamentares pretendem iniciar os trabalhos já na terça-feira (24). Na primeira reunião, deverão ser definidos o presidente e o relator do caso. A comissão tem o prazo de seis meses para concluir seus trabalhos, com possibilidade de ser prorrogada. 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu eu em você...

Fecho meu olhos....
E vejo vc...

Paro um instante, começo a pensar...
Só penso em vc...

Deito e durmo...
E sonho com vc....

Abro minha boca...
Pronuncio seu nome...

Tento fugir...
Mas naum consigo...

Longe de vc eu naum existo...
Minha vida naum tem sentido...
Um pássaro perdido...
Um homem iludido...
Um garoto confundido...

Os instantes com vc se eternizam...
Os momentos ao seu lado, os mais felizes...

Amor...
O que seria isso se eu naum tivesse vc!?!!?!!?
Paixaum...
Só mais uma palavra no dicionário se vc naum
exitisse pra me dar o significado!!!!!!!
Felicidade...
É te ter ao meu lado!!!!

É preciso "muita conversa" para que brasileiros sejam isentos de visto, diz ministro dos EUA


  Ainda não há prazo para que o Brasil faça parte dos cerca de 30 países do Global Waiver (localidades com dispensa de visto norte-americano). Segundo o ministro-conselheiro dos Estados Unidos, Todd Chapamn, ainda é necessário “muita conversa” para que os brasileiros sejam isentos do visto.

MUDANÇA NOS VISTOS

Em 2010, o visto americano passou a ter validade de 10 anos e não mais de 5 para viagens de turismo e de negócios realizadas por brasileiros. Já em janeiro deste ano, os EUA decidiram tornar mais rápida a concessão de vistos para brasileiros. Agora, menores de 16 anos, maiores de 66 anos e quem estiver renovando vistos de negócios e turismo (B1 e B2), trânsito (C1/D), estudante acadêmico (F) e estudante de escola técnica (M) com visto anterior expirado nos últimos 48 meses passarão por um processo simplificado
“Esse foi um tema de discussão entre os presidentes [Barack] Obama e [Dilma] Rousseff, em Washington. Estamos interessados em continuar o diálogo para facilitar a emissão de vistos e discutir os requerimentos necessários para que eventualmente o Brasil chegue a participar desse processo de isenção”, disse.
Os Estados Unidos se renderam ao turismo brasileiro, de acordo com o ministro do Interior norte-americano, Keneth Salazar. Ele explica que a política nacional atual consiste em fazer os brasileiros se sentirem “bem-vindos” desde a chegada aos aeroportos. “O Brasil é um país muito importante. Nossa amizade tem um futuro muito forte e queremos facilitar a vinda dos brasileiros.”


Durante o evento "Oportunidades de Turismo nos EUA", que ocorre hoje (16) na Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ministro do Interior dos Estados Unidos destacou os esforços do país para facilitar a entrada dos brasileiros. “Queremos tornar mais fácil a obtenção do visto. Reconhecemos que quando você tem que esperar de três a quatro meses para conseguir o visto, isso acaba sendo um grande impedimento para a viagem.”

Salazar ratificou a abertura de mais dois consulados norte-americanos no Brasil: em Porto Alegre e em Belo Horizonte. Atualmente, há consulados norte-americanos em Brasília, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Recife. O ministro do Interior dos EUA também destacou a liberação de brasileiros da entrevista individual para obtenção do visto. Menores de 15 anos e idosos não precisam mais passar por esse processo.

Lula e petistas aumentam pressões sobre STF pelo mensalão


 Sob a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do PT se lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão.
Parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do processo.
O medo dos petistas é de que os ministros do tribunal sucumbam a pressões da opinião pública num ano eleitoral. O mesmo movimento tenta convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano.
Um dos petistas que participam da ofensiva disse à Folha que fez chegar a integrantes do STF a avaliação de que não há provas suficientes para condenação do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino.
Na denúncia que deu origem ao processo do mensalão, Dirceu é apontado pela Procuradoria-Geral da República como chefe de um esquema que teria desviado recursos públicos para os partidos que apoiavam o governo Lula no Congresso.
O foco mais evidente do assédio petista é o ministro José Dias Toffoli, que foi assessor do PT e advogado-geral da União no governo Lula. Emissários do ex-presidente já fizeram chegar a Toffoli a preocupação com a possibilidade de ele se considerar sob suspeição durante o julgamento do mensalão.
Responsável pela indicação de Toffoli, o próprio Lula passou a reclamar dele. Segundo petistas, o ministro estaria emitindo "sinais trocados" sobre o julgamento.
Toffoli pode se declarar impedido para julgar o caso, por causa de seu envolvimento com o PT e o governo Lula, e porque sua namorada foi advogada do ex-deputado Professor Luizinho (SP), que também é réu no mensalão e hoje está afastado da política.
À Folha Toffoli disse que não se considera impedido, mas que só tomará uma decisão quando o julgamento estiver marcado. "Ele não tem esse direito", disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), amigo do ex-presidente.
Segundo a Folha apurou, Lula já afirmou a ao menos dois ex-ministros de seu governo que não gostaria que o julgamento ocorresse neste ano por temer prejuízos aos candidatos que apoiará nas eleições municipais. Dos 11 integrantes do Supremo, seis foram nomeados por Lula.
PRESSÃO JURÍDICA
Além da movimentação política, os ministros também passaram, nos último meses, a receber outro tipo de pressão, desta vez jurídica, vinda de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça de Lula.
Contratado para defender um ex-diretor do Banco Rural que também é réu, Thomaz Bastos enviou ao Supremo uma questão de ordem para tentar mais uma vez desmembrar o processo.
Isso deixaria no tribunal apenas três réus e mandaria para a primeira instância todos aqueles que não têm foro privilegiado no Supremo, entre eles Dirceu e Genoino.
O STF rejeitou a ideia em 2006, quando a denúncia ainda não havia sido aceita pelo tribunal e a discussão foi proposta pelos advogados do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.
Thomaz Bastos diz ter novos argumentos para defender a tese e já conseguiu convencer parte dos ministros do STF de que será preciso analisar a questão novamente antes do julgamento.

Cúpula das Américas termina com fracasso por impasse sobre Cuba

A forte oposição de países da América Latina contra as sanções impostas a Cuba pelos Estados Unidos deixou o presidente norte-americano Barack Obama isolado na Cúpula das Américas. O encontro terminou neste domingo sem produzir uma declaração final e com presidentes retornando aos seus países antecipadamente.
"Não houve declaração porque não houve consenso", afirmou anfitrião da Cúpula, o presidente colombiano Juan Manuel Santos. Ele buscou minimizar críticas de que a reunião foi um fracasso, dizendo que as diferentes visões são um sinal de saúde democrática da região.

6ª Cúpula das Américas

Foto 33 de 40 - Estudantes e trabalhadores usam máscaras para protestar e pedir o fechamento da prisão de Guantánamo, em Cuba. Segundo Juan Manoel Santos, presidente da Colômbia, será "inaceitável" realizar outro encontro sem a presença de Cuba, país que sofre embargo econômico dos Estados Unidos Mais Ricardo Moraes/Reuters
A presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar o regresso para Brasília e, em comum acordo com o presidente colombiano, cancelou a reunião bilateral que ambos teriam após a cúpula. Oficialmente o Palácio do Planalto informou que o retorno antecipado deveu-se a uma decisão da presidente de chegar mais cedo em Brasília e evitar cansaço extra.
Apesar da tentativa de minimizar o fracasso, o final do encontro de dois dias mostrou que o ambiente da Cúpula de Cartagena contrastou com o evento de 2009, em Trinidad e Tobago, quando Obama, lobo após ter sido eleito, foi recebido como uma estrela de rock.
Dessa vez, o presidente norte-americano foi alvo de diversas insatisfações e saias justas. O principal problema da delegação dos EUA foi quando 16 integrantes da segurança pessoal de Obama foram pegos em um embaraçoso escândalo de prostituição.
A saga da prostituição foi um duro golpe para o prestígio dos guarda-costas do serviço secreto norte-americano e acabou se tornando o inesperado assunto do evento, realizado na cidade histórica de Cartagena. "Pessoas responsáveis por fazer a segurança do presidente mais importante do mundo não podem cometer o erro de se envolver com uma prostituta", afirmou o guia turístico de Cartagena, Rodolfo Galvis, 60.
Onze agentes foram enviados de volta aos EUA e cinco militares foram afastados de suas funções depois de tentarem levar pelo menos uma prostituta para o hotel onde estavam hospedados, um dia antes da chegada de Obama.
Um policial local disse à Reuters que o caso atingiu o ápice quando funcionários do hotel tentaram registrar a prostituta na recepção, mas agentes recusaram e mostraram seus documentos de identidade.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Não Acredite

Não acredite em algo simplesmente porque ouviu. Não acredite em algo simplesmente porque todos falam a respeito. Não acredite em algo simplesmente porque esta escrito em seus livros religiosos. Não acredite em algo só porque seus professores e mestres dizem que é verdade. Não acredite em tradições só porque foram passadas de geração em geração. Mas depois de muita análise e observação, se você vê que algo concorda com a razão, e que conduz ao bem e beneficio de todos, aceite-o e viva-o.
Buda

Guerra de juros: veja quando vale a pena mudar de banco por causa da taxa

Depois que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciaram reduções de até 88% nos juros cobrados dos consumidores e das empresas, alguns dos maiores bancos privados do país também estudam promover cortes.
Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e HSBC informaram que estão "avaliando" essa possibilidade, para evitar a perda de clientes.
Especialistas em finanças pessoais e direitos do consumidor dizem, porém, que a decisão sobre permanecer cliente de uma instituição ou migrar para outra deve levar em consideração outros aspectos além dos juros cobrados nos financiamentos.
É preciso analisar, por exemplo, os preços dos pacotes de tarifas de cada banco.

O que levar em conta antes de mudar de banco

Getty ImagesAntes de transferir sua conta para outro banco, tente negociar condições melhores na instituição da qual já é cliente. Os clientes que têm vários produtos no mesmo banco, como seguros e aplicações financeiras, tendem a ter maior poder de barganha nessas horas
Clientes antigos também pagarão taxas menores
Entre os juros reduzidos pela Caixa estão aqueles cobrados no financiamento de veículos, que agora partem de 0,98% ao mês. Antes, era cobrada uma taxa de 1,19% ao mês. As taxas novas passaram a valer na segunda (9).
No Banco do Brasil, as novas taxas passam a valer nesta quinta (12). No caso do financiamento de veículos, os juros, que eram de no mínimo 1,24% ao mês, agora partem de 0,99% ao mês.
Os atuais clientes destes bancos que forem contratar financiamentos a partir de agora já pagarão as taxas novas. Quem usa o rotativo do cartão de crédito passará a pagar juros mais baixos na próxima fatura.
No caso da Caixa, clientes que já usavam o cheque especial terão ainda outro benefício. A nova taxa, de 4,27% ao mês, será cobrada retroativamente ao dia 2 de abril.
Clientes de outras instituições que migrarem para estes bancos já passarão a contar, também, com os benefícios. Não existe prazo de validade para os novos juros cobrados.

Troca de banco também deve considerar tarifas

Trocar de banco apenas por causa da redução dos juros, porém, pode não ser a melhor opção. "É preciso, por exemplo, pesquisar os preços das tarifas de serviços cobradas pelos outros bancos e o custo efetivo total das operações", aconselha a coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolci.
O custo efetivo total deve ser informado obrigatoriamente pelos bancos e mostra o real gasto que o cliente terá com um financiamento, incluindo, além dos juros, o preço de seguros e impostos, por exemplo.
Maria Inês Dolci diz que o consumidor deve analisar, também, o histórico do relacionamento do banco com os clientes, o que pode ser feito acessando-se um ranking de reclamações, como o do Procon-SP.
A dica do consultor financeiro Conrado Navarro é que o cliente vá até o banco para o qual pretende migrar e peça uma simulação de um empréstimo, para que possa comparar com o que paga hoje em outra instituição.
"A mudança pode, sim, valer a pena", diz Navarro. "Mas, para não perder os clientes atuais, os outros bancos tendem a oferecer benefícios, que devem ser analisados."
Até por isso, manter-se no mesmo banco também pode ser vantajoso. Para o professor de finanças pessoais Ricardo José de Almeida, do Insper, os bancos deverão oferecer vantagens, como tarifas menores, para clientes que têm produtos adicionais, como seguros e aplicações financeiras.

sábado, 7 de abril de 2012

"Gladiadores" protestam no Coliseu de Roma contra proibição da atividade

Uma dezena de "gladiadores" que trabalham tirando fotos com turistas no Coliseu de Roma se manifestaram neste sábado no monumento, em protesto contra a decisão da Prefeitura de proibir a atividade.

Diante dos olhares de milhares de turistas e romanos que visitavam o famoso Anfiteatro Flaviano (verdadeiro nome do Coliseu), os manifestando protestaram por oito horas com cartazes e gritando frases como: "Alemanno (Gianni Alemanno, prefeito de Roma) nos dá uma mão", "30 famílias romanas sem pão a partir de hoje" e "Direito ao trabalho".

Enquanto quatro "gladiadores" subiram ao segundo andar do Coliseu e colaram cartazes, outros informavam os visitantes sobre as causas da manifestação e também se reuniram com representantes da Prefeitura.

A Superintendência de Bens Arqueológicos de Roma e a Prefeitura decidiram há vários dias proibir a presença dos falsos "gladiadores" do Coliseu, por considerá-los "abusivos". Outra exigência foi retirada de todas as caminhonetes que vendem lembranças ou comidas e bebidas no local como forma de preservá-lo.

Por outro lado, os manifestantes pedem que seu trabalho seja regularizado pela administração municipal. "Não somos delinquentes, somos pais de família que têm direito a um trabalho. É com ele que levamos o pão para casa. Não podem fazer isso, não incomodamos ninguém e não destruímos o Coliseu. Os turistas estão muito felizes em tirar fotos conosco", disse Claudio, um dos "gladiadores".

Os turistas afirmaram que os "gladiadores" não fazem mal a ninguém e alguns romanos aproveitaram a oportunidade para criticar a Prefeitura pelos depósitos de lixo existentes no lugar. A queixa é que isto sim deixa a área do Coliseu menos bela.

Após desgaste com saída de Demóstenes, DEM mira eleições de olho em possível fusão

A oitava bancada da Câmara dos Deputados. Apenas quatro senadores. Somente uma governadora de Estado. Dois escândalos de corrupção recentes. Ex-todo-poderoso do Congresso, ainda sob o nome de PFL (Partido da Frente Liberal), o Democratas passa por uma crise de representatividade. Às vésperas de uma eleição municipal, que poderia redimir a legenda, não faltam integrantes mais ansiosos por uma eventual fusão com o aliado PSDB do que por crescer nas urnas.
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), um dos raros expoentes do DEM sem vínculo com famílias tradicionais, deixou o partido “com rumo frouxo” –nas palavras de um dos seus dirigentes. Pego em conversas suspeitas com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o senador tinha expectativas de ser candidato a presidente em 2014, o que poderia ajudar o partido a retomar dias melhores no Congresso por conta da exposição nacional.

Conheça a história do DEM, seus figurões e números

    Arte UOL
Agora, admitem membros do DEM, o cenário mais provável é de tentativa de fusão com o PSDB após as eleições municipais. “A diferença deve ser na forma”, disse um parlamentar da legenda que não quis se identificar. “Se o [deputado federal] ACM Neto ganhar a eleição em Salvador, se José Serra se eleger prefeito com um vice nosso, o cenário é um. Se isso não acontecer, as condições devem ser mais difíceis. Quando um partido fica muito maior que o outro, as condições para quem entra são piores.”
Para Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), os escândalos de Demóstenes e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda –envolvido no esquema do mensalão do DEM–, deixaram a sigla “com uma marca difícil de apagar em tão pouco tempo”. “A justificativa de que o DEM expulsa seus corruptos não serve nas eleições. É uma estratégia errada na qual o partido apostou há tempos. E está pagando agora. As pessoas querem saber de gestão”, disse.
A saída de Demóstenes fez os principais líderes do Democratas repetirem o discurso feito na época de Arruda. “O partido não está acuado, está aliviado”, disse o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), nesta semana. “Os outros escondem debaixo do tapete. Veja o PT com o mensalão. Nós temos coragem de lidar de frente. Todo integrante que for pego em atos ilícitos será expulso. Pagaremos esse preço.”
Oficialmente, Maia não admite a fusão com o PSDB. Caso ela aconteça, o novo partido teria 80 deputados –menos apenas do que o PT. Pode não ser o suficiente diante de uma avassaladora base aliada da presidente Dilma Rousseff, mas pode criar um grupo mais coeso na tentativa de retomar o Palácio do Planalto em 2014.
Em 2011, em sua convenção nacional, o PSDB incumbiu Serra de liderar um processo que pode levar a fusão dos tucanos com o DEM e com o PPS, mais à esquerda. Desde então o projeto não evoluiu, à espera das eleições municipais deste ano.

As escolhas de Demóstenes

OPÇÕES PRÓ CONTRA
Renunciar ao mandato Sai do foco político, o que pode aliviar as enxurrada de denúncias contra ele Pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa, perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás
Perder o mandato por infidelidade partidária Sai do foco político, mas mantém a imagem de ter lutado por seu cargo até o final. Neste caso, não é enquadrado na Lei da Ficha Limpa, com isso, pode ser eleito já em 2014 Perde o foro privilegiado no STF e passa a responder criminalmente na Justiça de Goiás. O Senado, porém, pode decidir continuar o processo de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. Seria algo incomum, mas não inédito
Licenciar-se do mandato Sai do foco político por 120 dias, mantém o foro privilegiado e espera que as denúncias esfriem com a aproximação das eleições municipais Continua respondendo processo no Conselho de Ética do Senado e, se cassado, pode ficar inelegível até 2027
Responder ao processo no Conselho de Ética do Senado Mantém a imagem de que lutou pelo cargo e, mesmo que condenado no conselho, ainda pode escapar da cassação no plenário do Senado, onde a votação é secreta Continua no foco político e, se condenado, pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
Renunciar e assumir o cargo de procurador de Justiça de Goiás Sai do foco político e, mesmo perdendo o foro privilegiado no STF, passaria a responder às denúncias no Tribunal de Justiça de Goiás, foro mais qualificado que a Justiça comum Pode ficar inelegível até 2027 por conta da Lei da Ficha Limpa
  • Fonte: "Folha de S.Paulo" e "Blog do Fernando Rodrigues"

Declínio antecipado

O professor Cláudio Couto, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), acredita que o declínio do Democratas já estava previsto desde antes dos escândalos. “Isso é ruim para o cenário político brasileiro. Falta uma direita orgânica, porque a que temos é a patrimonialista, que é predadora do Estado e vai do PMDB para a direita. O DEM poderia ocupar esse espaço. Mas não ocupa”, afirmou.
O partido que já teve o senador Marco Maciel (PE) como vice-presidente da República hoje sofre para emplacar um companheiro de chapa na provável composição com Serra para buscar a prefeitura de São Paulo. Em 2008, a sigla perdeu quase 40% dos seus prefeitos, ficando com 501. Depois do surgimento do PSD (Partido Social Democrático), criado por sua ex-estrela, o prefeito paulistano Gilberto Kassab, esse número ficou em 395, segundo dados da Frente Nacional dos Prefeitos.
A sigla, que na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso somava 105 deputados, derreteu para 84 na votação de 2002. Quando Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente, em 2006, encolheu para 65 parlamentares na Casa. Ao longo do segundo mandato do petista no Palácio do Planalto, chegou a 56 –muitos deles migraram para siglas satélites do governismo como PR, PTB, PP e PMDB.
Quase três décadas atrás, os fundadores do Democratas militavam no autointitulado “maior partido do Ocidente”, a Arena (Aliança Renovadora Nacional, sigla de sustentação do Regime Militar). Na fase democrática, a legenda tinha o vice-presidente e, em 1998, era a maior do Congresso, com 105 deputados e 18 senadores.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Furtos em aeroportos de SP sobem 47% no 1º bimestre


  No primeiro bimestre do ano, os furtos cresceram 47% nos dois principais aeroportos de São Paulo, segundo a Secretaria da Segurança Pública. Somados, Congonhas, na zona sul da capital, e Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, registraram 290 casos - ante 197 no mesmo período do ano passado.
No Aeroporto de Congonhas, o aumento foi de 19%, com 50 ocorrências no primeiro bimestre deste ano contra 42 no mesmo período de 2011. Já no Aeroporto de Guarulhos a alta chegou a 54%: foram 240 casos, contra 155.

Investigações

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, disse que as delegacias dos aeroportos agora vão focar na investigação de quadrilhas como essa que foi desbaratada. "É preciso mapear o modo de agir, os locais e os golpes para identificar e prender os responsáveis", disse.
Segundo o delegado titular do Aeroporto de Congonhas, Marcelo Godói Palhares, os ladrões "estão sempre atrás de laptops ou mochilas". Na última quarta-feira, um engenheiro químico alemão de 51 anos teve a mala furtada no local ao dar informações sobre o metrô. No dia seguinte, sua bagagem foi encontrada no centro sem dinheiro, mas com as roupas.
Em fevereiro, seis funcionários de Cumbica responsáveis pelo carregamento das malas entre a aeronave e a esteira foram presos sob acusação de furto. O esquema do grupo funcionava assim: malas que deveriam seguir para o desembarque internacional eram desviadas para a área doméstica - onde há pouca revista. De lá, um integrante saía com a bagagem como se fosse passageiro.

Empresas

No mesmo mês, uma passageira da American Airlines teve sua mochila furtada ao buscar informações sobre bagagens que tinham sido extraviadas (veja ao lado). A companhia, que não comenta o caso por não ter sido comunicada da ação, disse apenas que a bagagem de mão não é registrada e, portanto, não fica sob sua responsabilidade.
A Gol informa que orienta o passageiro a levar objetos de valor na bagagem de mão e a conferir identificação e condição das malas ao deixar o desembarque. Já a TAM disse que investe em treinamento da equipe responsável pelas malas, com inspeção de detector de metais de seus pertences nas trocas de turno. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

SONETO CV


Não chame o meu amor de Idolatria
Nem de Ídolo realce a quem eu amo,
Pois todo o meu cantar a um só se alia,
E de uma só maneira eu o proclamo.
É hoje e sempre o meu amor galante,
Inalterável, em grande excelência;
Por isso a minha rima é tão constante
A uma só coisa e exclui a diferença.
'Beleza, Bem, Verdade', eis o que exprimo;
'Beleza, Bem, Verdade', todo o acento;
E em tal mudança está tudo o que primo,
Em um, três temas, de amplo movimento.
'Beleza, Bem, Verdade' sós, outrora;
Num mesmo ser vivem juntos agora.
William Shakespeare

segunda-feira, 2 de abril de 2012

DEM abre processo para expulsar senador Demóstenes Torres


  A cúpula do Democratas decidiu nesta segunda-feira (2) abrir processo para expulsar o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), investigado por suas ligações com o empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
O parlamentar informou que ainda não leu todo o processo enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, por esta razão, não compareceu à reunião marcada para hoje na qual daria sua defesa sobre o caso.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), afirmou que Demóstenes tinha até esta noite para apresentar sua primeira defesa e que a abertura do processo de expulsão não o impede de fazê-lo mais adiante. Também estiveram presentes no encontro o líder do partido na Câmara, ACM Neto (BA), e outros parlamentares.
Com a abertura de processo, um relator deve ser nomeado ainda nesta terça-feira (3) e, a partir disso, Demóstenes terá sete dias corridos para se pronunciar. Depois disso, a Executiva Nacional do partido se reúne para votar a expulsão do senador.
“Nosso partido não corrobora com falta de decoro e os indícios que há até agora caminham nessa direção. Eu entendo que o senador não tenha tido tempo de ler todo o processo, mas não podemos ficar apenas esperando. O Democratas não transige com atos graves como os que parecem ter sido cometidos”, afirmou Agripino após a reunião.
Já ACM Neto disse que o processo não é uma condenação antecipada. “Existem indícios suficientes para abertura do processo, não é uma condenação antecipada, ainda queremos ouvi-lo, mas a sociedade precisa de uma resposta.”
A medida do DEM de apenas abrir o processo é vista por membros da legenda como uma concessão para que o senador tenha o devido rito legal antes de deixar o partido.

Entenda

A relação entre Demóstenes e Carlinhos Cachoeira começou a ser divulgada pela imprensa dias após a deflagração da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Cachoeira e mais 34 pessoas no final de fevereiro. Inicialmente, Demóstenes foi acusado de receber presentes caros de Cachoeira em seu casamento, mas negou conhecer as atividades ilegais do empresário.
Vazamento de interceptações telefônicas colhidas pela Polícia Federal mostraram, no entanto, que além de conhecer a atuação de Cachoeira, Demóstenes também participava do esquema, interferindo a favor do empresário em assuntos políticos e obtendo em troca o repasse de dinheiro resultante da exploração do jogo ilegal em Goiás.
Com as acusações, Demóstenes se recolheu em seu gabinete. Em seu microblog Twitter, o senador disse que não integrava nenhuma "organização ilegal". O senador deixou a liderança do DEM no Senado no último dia 27, sendo substituído pelo presidente da legenda, Agripino Maia (RN).
Na semana passada, o STF autorizou a abertura de inquérito para investigar a participação do senador no esquema. O relator do processo, ministro Ricardo Lewandowski, determinou a quebra de sigilo bancário e pediu levantamento das emendas parlamentares do político.
Também na semana passada, o PSOL protocolou uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o senador no Conselho de Ética. Com o risco de ser cassado, o senador estuda a hipótese de renunciar ao mandato, mas retarda sua decisão por receio de perder a prerrogativa de foro privilegiado –renunciando à cadeira no Senado, o inquérito não seria mais julgado pelo STF.

Defesa fala em escutas ilegais

O advogado de Demóstenes afirmou que vai entrar com uma reclamação no STF na próxima segunda-feira (9) contestando o fato de a Justiça Federal de Goiás não ter pedido autorização à Suprema Corte para continuar as investigações envolvendo seu cliente e o empresário Carlinhos Cachoeira.
Segundo o advogado Antonio Carlos de Almeira Castro, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal de Goiás deveriam ter pedido autorização ao Supremo para fazer as gravações telefônicas da Operação Monte Carlo porque Demóstenes tem foro privilegiado por ser parlamentar.
“Vou fazer uma reclamação contra o Ministério Público e o juiz do Tribunal de Goiás pela ilegalidade que cometeram. É para anular o inquérito”, disse o defensor.
(Com Agência Brasil)

Demóstenes Torres avalia renúncia para evitar perda de direitos políticos


Demóstenes Torres avalia renúncia para evitar perda de direitos políticos
"Renúncia do senador Demóstenes Torres foi cobrada no domingo pela OAB"
BRASÍLIA - Em um esforço para evitar a cassação e a consequente perda dos direitos políticos , o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) convocou uma reunião com seu advogado, Antonio Carlos de Almeida Castro, para avaliar a possibilidade de renunciar ao mandato. A renúncia imediata foi cobrada neste domingo, 1, pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.
Alvo de grampos telefônicos em que demonstra intimidade com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a quem chegou a chamar de 'professor', Demóstenes complicou-se ao tentar explicar as relações com o chefe de esquema de jogos de azar investigado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.
A reunião entre o senador e o advogado ocorreu no domingo à noite. Nenhum dos dois se manifestou após o encontro. À tarde, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, pediu uma 'medida extrema'. 'O teor das conversas telefônicas mantidas com o empresário, divulgadas pela imprensa, evidenciam uma situação mortal para qualquer político', afirmou, ao defender a renúncia.
Mas a eventual renúncia de Demóstenes não o livra, automaticamente, do risco de se tornar inelegível. Pela Lei da Ficha Limpa, declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os políticos que renunciarem ao mandato após o oferecimento de representação por quebra de decoro ficam inelegíveis pelo período restante do mandato e pelos oito anos seguintes.
Controvérsia. Na semana passada, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) protocolou no Conselho de Ética do Senado uma representação contra Demóstenes por quebra de decoro. No entanto, a peça ainda não foi formalmente recebida, porque o colegiado está sem presidente desde setembro do ano passado. Como o vice-presidente do conselho, Jayme Campos (DEM-MT), se declarou incompetente para receber a representação, ela foi encaminhada para a consultoria jurídica do Senado.
'A não instauração do processo pela ausência do presidente abre uma brecha jurídica', avalia Randolfe. Essa brecha permitiria ao senador escapar do enquadramento como 'ficha suja'. Mas outra corrente de juristas entende o contrário, porque o texto da lei é expresso ao afirmar que o político fica inelegível se renunciar 'desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo'.
Ultimato. Demóstenes vive momento de forte tensão. O DEM deu um ultimato a ele até terça-feira, 3, sob ameaça de expulsão do partido. Familiares do senador não escondem preocupação com o seu equilíbrio emocional. Ele passou os últimos dias em casa, recluso, sem conversar com ninguém.
Irmão do senador e procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres afirmou ao Estado que não tem conversado com ele. 'Ele tem evitado conversar. Não comunicou nada aos familiares sobre uma possível renúncia', afirmou. As investigações que deram origem à Operação Monte Carlo começaram no Ministério Público do Estado de Goiás.
O líder do DEM na Câmara, deputado ACM Neto, afirmou neste domingo que ainda aguarda a manifestação do senador. 'Demos a ele até a manhã de terça. Queremos uma explicação sobre fatos tão graves antes de dar início ao processo de expulsão.' Sobre uma possível renúncia, ACM Neto disse que é uma decisão pessoal. 'Não cabe ao partido comentar uma atitude individual.' Demóstenes, no entanto, já estaria conversando com seus suplentes sobre a possibilidade, segundo o Estado apurou.
Hoje licenciado do Ministério Público de Goiás, Demóstenes poderá reassumir o cargo em caso de renúncia ao mandato.
Se voltar para o MP, a investigação contra ele, que atualmente tramita no Supremo Tribunal Federal, poderá passar para o Tribunal de Justiça de Goiás, que é a Corte responsável pelo julgamento de procuradores. Demóstenes também estará sujeito a uma investigação pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

domingo, 1 de abril de 2012

Um mergulho nos recifes 'invisíveis' de Abrolhos

Um mergulho nos recifes 'invisíveis' de Abrolhos
"Universo marinho do Banco de Abrolhos é maior que o Espírito Santo"
Ao redor do barco, nada à vista além de água, 360 graus. Caímos no mar equipados e descemos agarrados à corda da âncora, balançando na correnteza como se fôssemos pipas ao vento.
Vinte metros para baixo, encontramos o que procurávamos: grandes cabeços de recife coralíneo, cobertos de esponjas coloridas e encrustados de corais-cérebro, com frades, badejos, budiões e outros peixes recifais se refugiando em suas reentrâncias. Uma paisagem submersa típica do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia. Com uma diferença importante: não estamos dentro do parque.
Estamos 2 quilômetros ao norte, em águas não protegidas, e os recifes à nossa frente são parte de um enorme mosaico de ecossistemas coralíneos formados milhares de anos atrás e conhecidos há gerações por pescadores locais, mas só recentemente 'descobertos' por cientistas e ambientalistas - que agora estão embarcados numa corrida para recuperar o tempo perdido e proteger esses ecossistemas, essenciais à sobrevivência da biodiversidade e da atividade pesqueira que se alimenta dela.
Há cinco anos pesquisadores vêm extrapolando os limites para mapear e estudar a composição dos 48 mil quilômetros quadrados do Banco de Abrolhos que estão fora da zona de proteção do parque. Um universo marinho maior que o Espírito Santo, onde a plataforma continental (a borda submersa do continente) se estende a até 200 quilômetros da costa, criando um ambiente de águas rasas e mornas que acolhe a maior diversidade de espécies marinhas do Atlântico Sul.
Como resultado desse esforço, capitaneado pela organização Conservação Internacional (CI) e um grupo de oito instituições que compõem a chamada Rede Abrolhos, financiada pelo Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), vários tesouros biológicos já vieram à tona, resgatados das profundezas de Abrolhos por meio de imagens de sonar, robôs submersíveis e expedições de mergulho. Entre eles, mais de 8 mil km² de novos sistemas recifais, a maior parte deles não visíveis da superfície, em áreas de 20 a 50 metros de profundidade. Chamados recifes mesofóticos ou de meia-luz.
'É o maior banco de corais do Atlântico Sul e só conhecíamos 5% dele', diz o biólogo Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da CI, que trabalha há mais de dez anos em Abrolhos. 'Sabíamos que havia muitos recifes fora do parque, mas ninguém tinha mapeado isso até agora.' Com esse olhar mais profundo, a área conhecida de ocorrência de recifes no Banco de Abrolhos cresceu 20 vezes, comparado ao que se conhecia até 2008 - restrito, basicamente, ao que era visível da superfície.
Os principais construtores e decoradores desses recifes são os corais-cérebro, do gênero Mussismilia, que formam estruturas alongadas em forma de cogumelo, conhecidas como chapeirões. O registro fóssil mostra que eles eram comuns no mundo todo 15 milhões de anos atrás, mas hoje só existem no Brasil. Uma espécie específica, a Mussismilia braziliensis, só ocorre na costa da Bahia. 'Abrolhos é como um fóssil vivo gigante', diz o biólogo americano Les Kaufman, professor da Universidade de Boston e cientista marinho da CI. 'Que pode estar a caminho de virar um fóssil morto, se não tomarmos as medidas necessárias para protegê-lo.'
Pescaria. A alegria de descobrir os recifes é acompanhada de uma tristeza, ao constatar que a quantidade de peixes presente neles está bem abaixo do esperado para esse tipo de hábitat. Quem frequenta esses recifes há muito mais tempo que os pesquisadores são os pescadores, que se aproveitam desses hábitats privilegiados como campos férteis para sua pescaria - praticada, muitas vezes, de maneira ilegal e perigosa, por mergulhadores conectados a compressores de ar, que passam horas debaixo d'água caçando com arpões.
'Aqui deveria estar cheio de dentão; é o ambiente perfeito para eles', diz o biólogo Matheus Oliveira Freitas, ao voltarmos para o barco, referindo-se a um dos peixes mais visados pelos caçadores.
Aluno de doutorado da Universidade Federal do Paraná e pesquisador associado da CI, Freitas há anos coleta e examina peixes de várias regiões do Banco de Abrolhos para tentar descobrir onde, quando e com que periodicidade cada uma das espécies se reproduz. Informações cruciais para o gerenciamento sustentável da pesca na região.
Ele procura, principalmente, pelos pontos de agregação reprodutiva, locais específicos onde grandes cardumes se formam periodicamente - apenas em determinadas luas do ano - para desovar seus gametas simultaneamente. Para isso, Freitas examina as gônadas dos peixes pescados, o que lhe permite dizer se o animal é macho ou fêmea, se está em 'repouso', se desovou recentemente ou está prestes a desovar. Depois relaciona isso com os pontos geográficos e o conhecimento tradicional dos pescadores, juntando pistas sobre o ciclo reprodutivo das espécies.
Também mede e pesa cada peixe e retira amostras de tecido, que podem ser analisadas quimicamente para saber do que o peixe se alimenta.
Por fim, coleta os otólitos, duas 'pedrinhas' de carbonato de cálcio que ficam embutidas em um compartimento cheio de líquido entre a cabeça e a espinha dorsal do peixe, funcionando como um órgão de equilíbrio, equivalente ao ouvido interno humano. 'É a caixa preta dos peixes', compara Freitas. Fatiados e analisados sob o microscópio, os otólitos têm anéis de crescimento que podem ser contados para estimar a idade do peixe, como se faz com os anéis dos troncos de árvores.
'Não tem como fazer gestão pesqueira sem conhecer a biologia dos peixes', justifica o pesquisador.
Assim como não dá para conservar 'às cegas', sem conhecer a fundo a distribuição e o funcionamento dos ecossistemas que se pretende proteger. Esse é o objetivo prático das pesquisas, segundo Dutra: gerar conhecimento científico para embasar uma proposta eficiente de expansão da rede de áreas protegidas no Banco de Abrolhos.
Uma proposta, ressalta Dutra, que seja boa para peixes e seres humanos, beneficiando a pesca e atenuando conflitos com atividades econômicas, como a exploração de petróleo e gás. Para isso, os dados biológicos e minerais gerados estão sendo cruzados com dados econômicos e sociais, para produzir uma espécie de zoneamento ecológico-econômico de Abrolhos. 'Temos várias alternativas de proteção, mas qual delas oferece o melhor custo benefício? É isso que queremos saber', afirma Dutra.